Quando um jovem casal procurou o arquiteto Guilherme Torres para reformar seu novo apartamento, nos Jardins, em São Paulo, já tinha em mente os revestimentos: concreto e madeira de demolição. Foi o ponto de partida para uma obra que mexeu muito pouco na parte estrutural, mas, sem dúvida, atualizou o imóvel, construído nos anos 70. “É um clássico apartamento dos Jardins, com uma área generosa. Demos uma remoçada nele, buscando um clima nova-iorquino”, diz o arquiteto brasileiro.

Logo na entrada do apartamento, de 216 m², Torres criou um eixo ordenador semelhante a um container: uma caixa forrada com faixas de fórmica branca que escondem as portas do hall do elevador e a que leva aos quartos. “Não queria que esse espaço tivesse cara de hall, então, encontrei essa solução.” De um lado do container fica o living, de 55 m², do outro, a cozinha e a sala de jantar.

Em todos os ambientes, os revestimentos são os mesmos, o que cria unidade – essa busca por uniformidade, aliás, é uma das características do trabalho de Torres. Aqui, os acabamentos escolhidos foram madeira de demolição para o piso e cimento para as paredes.

Na sala espaçosa há ambientes variados. O sofá modular da Living Divani volta-se para o estar, com peças de menor profundidade, e também para a TV, com almofadões. Perto da janela, a mesa com desenho do arquiteto é polivalente: “Normalmente, ela serve como bar, mas nada impede que seja o home office”. Ao lado dela, o biombo de madeira vintage dá privacidade e cria um efeito de luz e sombra. A peça e o sofazinho de ratam contrastam com os móveis contemporâneos, mas sem criar nenhum atrito de linguagem.

 

O cinza das paredes deixa o ambiente quase monocromático. A cor vem do sofá, com predomínio de rosa e vinho. No mais, mesmo coloridos, como a mesinha de um verde claro e a estante de uma cor baunilha, os móveis são neutros.

Alguns desses tons se repetem na cozinha e no jantar, que tem mesa de laca na cor café assinada por Torres e o lustre Dear Ingo, de Ron Gilad para a Moooi – a peça de impacto é uma das preferidas do arquiteto. Atrás da bancada com cooktop a mesma madeira do piso reveste os armários. “O casal queria uma cozinha para receber os amigos. Então, fiz esta, integrada ao jantar, mas usei uma parte da área de serviço original para criar outra, de apoio, para o dia a dia”, diz Torres.

 

O apartamento foi um marco no começo de uma nova família, que cresceu ainda durante a reforma – o casal se mudou já com um bebê. “Entreguei apenas uma base, uma fórmula, agora, eles vão acrescentar vivência à casa nova.”

PROJETO

BC APARTMENT​

ANO DE CONCLUSÃO

2012​

ÁREA

215m²

LOCALIZAÇÃO

CURITIBA, PR – BRASIL

ARQUITETO LÍDER

GUILHERME TORRES​

​​

FOTOGRAFIA

DENILSON MACHADO — MCA STUDIO​

PROJECT

BC APARTMENT​

YEAR

2012​

AREA

215m²

LOCATION

CURITIBA, PR – BRASIL

LEADER OF ARCHITECTURE

GUILHERME TORRES​

​​

PHOTOGRAPHY

DENILSON MACHADO ─ MCA STUDIO​

When a young couple sought out architect Guilherme Torres to reform their new apartment in Jardins, Sao Paulo, they already had in mind certain feature materials: concrete and reclaimed wood. This was the starting point for a job that involved very little structural work, but nonetheless renovated the 1970's property. "It's a classic, spacious Jardins apartment. We've rejuvenated it, looking for that New York feel," says the Brazilian architect.

 

Upon entrance to the 216 m² apartment, Torres created a container-like structure: a box lined with white surfaces, to hide the doors of the elevator lobby that leads to the bedrooms. "I didn’t want this space to look like a hall, so that was the solution I found." On one side of the ‘container’ is the 55 m² living room, while on the other, are the kitchen and the dining room.

In all of the rooms, the same materials were used, which creates unity - this quest for uniformity is, incidentally, highly characteristic of Torres' work. Here, the chosen materials were reclaimed wood flooring and cement walls.

In the spacious lounge there are several settings. The modular sofa from Living Divani faces not only the sitting room space, decorated with smaller pieces of furniture, but also the TV and features oversized cushions. Near the window, a table designed by the architect is multipurpose: "Normally, it serves as a bar, but there's nothing to prevent you from using it as a home office." Beside the table, a vintage wooden screen provides privacy and a show of light and shadow. The vintage screen and the rattan couch are in complete contrast with the contemporary furniture, yet without creating any conflict in style.

 

The grey walls make the room almost monochrome. The color comes from the sofa, with a predominance of pink and burgundy. In the main, despite colourful, the furnishings, such as a light green table and a vanilla colour bookshelf, are neutral.

 

Some of these tones are repeated in the kitchen and dining room, which has a coffee coloured lacquer table designed by Torres and a Dear Ingo chandelier by Ron Gilad for Moooi - one of the architect's favourite impact pieces. Behind the worktop with integrated hob, wood identical to that used in the flooring adorns the kitchen cabinets. "The couple wanted a kitchen where they could entertain friends. So that’s what I designed. The kitchen is integrated with the dining room, but I used part of the former utility area to create an additional supporting space for day to day use," says Torres.

 

The apartment was a milestone marking the beginning of a new family, which grew further still during the refurbishment - the couple moved in with their new baby in tow. "I simply delivered a foundation, a template, now they will add real life to their new house."